ESPIANDO A VIDA ALHEIA?...

24-Jun-2016

 

“Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz...”   -  Jesus

Mateus, cap.07 – vers:22

 

Desde há alguns anos uma nova onda vem ocupando a atenção das pessoas em nosso país, a utilização da TV para espiar (ou espionar?) a vida alheia.

A febre dos “reality shows” chegou ao Brasil e grande parte do povo brasileiro vai açulado em um dos vícios mais tristes e indicativo de nossa infantil condição moral, a de se interessar pela vida alheia, tentando penetrar sua intimidade a título de curiosidade vazia e fútil.

Nossos olhos são patrimônios maravilhosos; a maneira pela qual os usamos denota nosso estágio de evolução moral, o grau de aperfeiçoamento espiritual.

A interpretação que damos à vida que nos rodeia se inicia no modo como observamos as criaturas, as ocorrências e a Humanidade à nossa volta.

Assim, através dos olhos – janelas da alma – exprimimos os sentimentos que nos vão na intimidade. A imagem que percebemos é detectada pelo conjunto biológico que forma nossa visão, mas o entendimento e conclusão do que vemos são formados pelos nossos valores. A malícia que enxergamos na atitude alheia está, na realidade, em nosso coração. De igual modo manifestam-se outros sentimentos íntimos quando olhamos e espiamos a outrem: a crueldade, o ciúme, a desconfiança, o vício, a perturbação, a maldade, a frieza, a irritação, a inveja, a má intenção.

Recordo-me de uma frase do querido mentor espiritual de Chico Xavier, Emmanuel, em que nos alerta que “os olhos que vêem se assemelham à coisa vista”.

Em nosso personalismo – muito forte ainda –temos uma tendência a aumentar o erro e a pintá-lo com cores mais vivas do que realmente é, e em contrapartida amenizamos ao máximo nossas falhas, mesmo as praticadas propositalmente.

Agimos como no ditado popular que diz: rico correndo é atleta e pobre correndo é ladrão. A nossa crítica é sempre com boa intenção e a dos outros é para nos destruir; se ofendi foi porque estava nervoso devido a problemas, e os outros porque são orgulhosos e se acham no direito de pisar-nos; para os outros queremos justiça e para nós queremos o perdão... e a lista seria quase infinita...

Assistir a estes programas não seria negativo se os sentimentos que nos movessem fossem humanitários ou a observação fosse feita de modo técnico, como em uma análise psicológica séria. Entretanto, vibramos com a exposição impiedosa dos que participam, criticamos, destacamos as imperfeições, torcemos contra, rimos da tristeza e adoramos a pressão intensa a que são submetidos.

Isso nos remete aos antigos circos romanos onde os cristão eram devorados vivos pelas feras ou queimados, enquanto a multidão torcia e gritava como em um jogo de futebol. A infelicidade de uns se tornando divertimento de outros, sinal inequívoco de uma sociedade pobre de virtudes e ignorante da fraternidade que deveria imperar entre nós.

Todos somos possuidores de livre arbítrio cabendo-nos escolher o que vemos, ouvimos, pensamos, falamos e fazemos.

O convite do Cristo a que tenhamos “olhos bons” utilizando-os para ver a beleza da vida, exaltar a virtude, enxergar as necessidades dos nossos irmãos e, socorrendo-os, observar a grandeza de Deus buscando educar nossos sentidos e sentimentos, nos promoverá à glória da Eterna Luz.

Sonhamos com um mundo onde a paz, a felicidade, a justiça, a igualdade e o amor sejam regra geral, e alcançaremos este objetivo à medida que nos despojarmos dos maus sentimentos, das condutas mesquinhas, valorizando o outro, esquecendo mais de nós mesmos.

Por hora, contentemo-nos em observar e olhar com a mesma intensidade o exemplo das grandes almas que passaram e passam pela Terra.

Lanço o desafio...

 

jonazareth@mednet.com.br

 

 

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